
Por: Marcio Souza
Entre o ronco dos caças, a precisão da Esquadrilha da Fumaça e a curiosidade de quem acompanhava cada passagem, a equipe Spotters Brasil esteve na Academia da Força Aérea para uma edição que reuniu aviação e público em Pirassununga.
Um domingo de olhos voltados para o céu
No último domingo, 1º de novembro, a Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, abriu os portões para receber famílias, entusiastas e apaixonados por aviação. A estimativa da organização, citada pela imprensa local, era de superar 80 mil visitantes ao longo do dia. No balanço pós-evento, a Prefeitura descreveu a presença como “milhares” de pessoas, sem divulgar um número final consolidado.
O Spotters Brasil também marcou presença. Para quem acompanha a aviação de perto, eventos assim são uma oportunidade de observar aeronaves, formações e detalhes que nem sempre cabem numa ficha técnica. Para quem está começando a descobrir esse universo, cada passagem pode ser o primeiro convite para olhar o céu com outros olhos.






Quando o ronco anuncia um caça
Entre os momentos que mais mobilizaram o público, estiveram as passagens do F-39 Gripen e do A-1. O primeiro representa uma nova geração de caças da FAB; o segundo tem uma trajetória importante na aviação de combate brasileira. Para quem acompanha os modelos, vê-los no mesmo evento oferece uma comparação que vai além da ficha técnica: são projetos de épocas e funções distintas, cruzando o mesmo céu.
O KC-390 Millennium também atraiu olhares. Desenvolvido pela Embraer, o cargueiro multimissão mostrou outro lado da aviação militar: a capacidade de transporte e de apoio, em contraste com a velocidade e o perfil dos caças. Já os T-25M Universal e T-27M Tucano lembraram que a formação dos cadetes aviadores também faz parte do espetáculo. São aeronaves de instrução que acompanham as diferentes etapas da formação dos futuros pilotos da AFA.
A programação ainda incluiu aeronaves civis acrobáticas e agrícolas. Para os spotters, cada modelo apresenta um desafio de registro próprio: velocidade, distância, trajetória e iluminação variam a cada passagem. Para o público que acompanhava pela primeira vez, a variedade deixava claro que a aviação não tem um único formato.






A Esquadrilha da Fumaça em casa
A AFA é a casa da Esquadrilha da Fumaça, o que conferiu um significado especial à apresentação. Os sete A-29 Super Tucanos realizaram duas demonstrações, uma pela manhã e outra no encerramento do evento. Mais de 50 manobras compuseram a apresentação, com passagens em formação, cruzamentos e acrobacias que exigem precisão, coordenação e confiança entre os pilotos.
Do chão, é fácil acompanhar o desenho deixado pela fumaça. Mas cada figura também revela um trabalho coletivo: enquanto uma aeronave executa a manobra, as demais mantêm a posição e a distância com exatidão. É um espetáculo visual que prende quem está ali pela primeira vez e, ao mesmo tempo, oferece muitos detalhes para quem já conhece a rotina da equipe.






Do voo de formação à acrobacia civil
A programação civil trouxe estilos variados de demonstração. Gui Xerife Aerobatic Team, Tarja Preta, ACRO Brasil, Yancovitz Aviation, Beto Bazaia, Richieri Airshows, Pro Tork Air Show, Extreme Demonstrações Aéreas e Safe Escola de Aviação estavam entre as atrações da grade. Também havia demonstrações agrícolas, aeromodelos e o Ximango, um motoplanador que combina voo motorizado e voo planado.
Um dos formatos mais distintos foi o show conjunto da ACRO Brasil, com aeronaves acrobáticas e uma moto na pista. No alto, as manobras desenhavam trajetórias; no solo, a interação ajudava a mostrar como um evento aéreo pode combinar modalidades e aproximar o público de diferentes áreas da aviação.
A programação da AFA incluiu ainda o Esquadrão de Voo a Vela. Os planadores permitem aos cadetes desenvolver a sensibilidade de pilotagem e compreender o voo sem depender de um motor, como em uma aeronave convencional. Para os visitantes, foi uma oportunidade de conhecer uma atividade menos conhecida, mas fundamental para a cultura aeronáutica da Academia.
O que havia além da pista
Enquanto o céu concentrava as demonstrações, a área no solo oferecia outros motivos para ficar. A programação incluiu apresentações da Banda de Música da AFA e da Fanfarra de Agudos, além de demonstrações com cães. Simuladores de voo, planetário, atividades educativas, viaturas do Exército, veículos históricos e a presença do Corpo de Bombeiros completaram o passeio.
Essas atrações ajudam a explicar por que o Domingo Aéreo conversa com públicos tão diferentes. Uma criança pode sair pensando no avião de que mais gostou; alguém interessado em carreira pode parar para conhecer uma atividade educativa; quem acompanha a aviação há décadas pode aproveitar a exposição para observar aeronaves e conversar com outros entusiastas. O evento não se limita ao momento em que os motores estão ligados.






O último voo não encerra a conversa
Ao longo do dia, o Domingo Aéreo reuniu diferentes formas de se aproximar da aviação: acompanhar um caça em passagem, observar a precisão da Esquadrilha da Fumaça, conhecer aeronaves de instrução ou descobrir o voo a vela e as acrobacias civis.
Para o Spotters Brasil, participar também é compartilhar esse olhar. A fotografia registra o instante, mas a conversa continua depois: sobre a aeronave, a manobra, a história por trás de cada modelo e o próximo evento que vai reunir a comunidade.
Em Pirassununga, bastou olhar para cima para encontrar muitos começos possíveis. Para alguns, foi só mais um espetáculo no céu. Para outros, talvez tenha sido o primeiro passo para nunca mais deixar de perguntar: “Que avião é aquele?”.



